Você sabe quem foi a primeira romancista brasileira?

 

Acredito que poucos leitores já ouviram falar no nome de Maria Firmina dos Reis (1825-1917). Filha de mãe branca com pai negro (cerca de 63 anos antes da abolição da escravtura), Maria foi nasceu na Ilha de São Luís, Maranhão. Ela foi registrada sob o nome de um pai ilegítimo. No ano de 1830, Maria Firmina mudou com a sua família para a vila de São José de Guimarães, onde passou parte de sua juventude na casa da tia materna. Com 22 anos, Firmina foi aprovada na Instituição Primária para o cargo de professora de Primeiras Letras, cargo que exerceu entre os anos de 1847 e 1881. Nessa época ela foi a primeira mulher a ser aprovada em concurso público e conseguia sustentar-se sozinha, sem depender de qualquer homem e isso era algo extremamente incomum, ao ponto dela ser mal vista até mesmo por outras mulheres.

Após alguns anos como professora, um ano especial marcou a sua vida e foi o ano de 1859. Nesse período ela escreveu o seu primeiro romance, Úrsula. Na época do lançamento, o seu livro foi anunciado no jornal A Moderação que chamava a atenção dos leitores dizendo que esse livro era de autoria da "exma. Sra. D. Maria Firmina dos Reis, professora pública em Guimarães". Isso era algo considerado impensável na época e o seu livro serviu como instrumento para criticar à escravidão adotada no Brasil, ou seja, ela publicou um romance abolicionista, um romance antiescravatura e isso foi algo que marcou a sua carreira como autora. Em 1887, Firmina publicou na Revista Maranhense o conto "A escrava" que tinha como foco principal um abolicionista.

Firmina era uma mulher à frente do seu tempo e aos 54 anos, contando 34 anos como professora, ela decidiu fundar uma escola mista e não cobrava pelas aulas, isso ocorreu aproximadamente oito anos antes da promulgação da Lei Áurea. Todavia, ela não obteve sucesso nessa empreitada e a escola durou apenas três anos, pois foi motivo de escândalo e insatisfação em Maçaricó. Firmina também se aventurou no campo de composição musical e elaborou as seguintes músicas: “Auto de bumba-meu-boi” (letra e música), “Valsa” (letra de Gonçalves Dias), “Hino à mocidade” (letra e música), “Hino à liberdade dos escravos” (letra e música), “Rosinha, valsa” (letra e música), “Pastor estrela do Oriente” (letra e música) e “Canto de recordação” (letra e música).
Obras literárias de Maria Firmina:

- Úrsula, romance, 1859;
- Gupeva, romance, 1861-1862;
Poemas em "Parnaso maranhense", 1861, e outras revistas e jornais;
- "A escrava", conto, 1887;
- "Cantos à beira-mar", poesias, 1871;
- "Hino da libertação dos escravos", 1888;

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